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Maria Deiviane AGOSTINHO DOS SANTOS: "Experimento teórico em Kierkegaard: A proposição polêmica"

Kierkegaard trabalha com a proposição polêmica de Sócrates sobre a possibilidade e a impossibilidade de buscar a verdade: assim, como acontece com a verdade, se é possível apreendê-la, é necessário que ela não esteja presente, mas como necessidade, Kierkegaard usa a palavra amortecida: Pressuposição. Como para fugir da tentativa de universalização daquilo que fala, não tenta impor necessidade histórica de que seja como ele diz, mas busca a forma lógica, para mostrar sua necessidade. Assim como acontece com a cristandade, onde não há necessidade lógica ou histórica em ser cristão. Ser cristão é uma escolha do indivíduo, se a verdade residir no fato de ser cristão, então é preciso buscar a verdade, é preciso tornar-se cristão. Este é um trabalho que trata o conceito de verdade em Kierkegaard e em Sócrates, e o passo adiante que Kierkegaard dá em relação à autonomia, por questões propriamente históricas, mas sem necessidade histórica.
A filosofia grega, repleta de problemas que perduram no tempo, designa direcionamentos muito propriamente incansáveis. A pergunta pelo ser, pelo nada, pelo movimento, põe Parmênides como genitor de ideias platônicas concernentes a verdade. Da impossibilidade de inferir uma proposição falsa, quando o ser é, e não pode ser o não ser, Parmênides não coloca todas as coisas no âmbito da verdade, mas transforma a reflexão em condição para a fuga da falsidade empírica. Esse empirismo, não tem relação com a invariável tarefa de David Hume, que propõe o esgotamento da experiência para que o conhecimento tenha um parâmetro, o da própria experiência legítima. Mas o empirismo do qual falamos, se quer é uma doutrina, e sim, a conformidade da sensação com a ilusão. Toda ilusão, portanto, acaba por transfigurar a doxa, já tão pobre, em mera falsidade.
O que Kierkegaard tem a ver com essa questão, não é de cunho revisório, e ao mesmo tempo resgata a possibilidade de chegar à verdade. Mas não é uma verdade reminiscente, platônica, favorável. A verdade que Kierkegaard busca é uma verdade fora do ser-ai. Não cabe falar sobre uma verdade que esteja no indivíduo de forma anterior, retrospectiva. A verdade não pode estar no individuo, na mesma medida em que Parmênides não pode aceitar o não ser, por suas implicações lógicas. Na medida em que Kierkegaard pergunta por uma permanência histórica da importância da verdade e do mestre que dá a condição, descobre um emaranhado de enganos. A própria impossibilidade da verdade reside no erro fatal: se a verdade está no indivíduo, ele não precisa buscar e sem a busca também o mestre é enxotado do banquete. Se para chegar a alguma concepção sobre o amor, Sócrates não tem fundamentalmente nenhum papel, apenas de alarmar e chamar a atenção para uma lembrança, então à explicação não é suficiente.
A verdade reminiscente, que declara a imortalidade da alma, e por isso mesmo, a antecipação do contato com as formas (que gera por isso o conhecimento anterior), exclui também a possibilidade de haver alguma necessidade no mestre. Sócrates não é necessário, uma vez que tendo por exemplo, Alcebíades, alguma verdade a rememorar, estando essa verdade nele, não pode estar ao mesmo tempo em Sócrates. A não ser por uma interpretação muito mal formulada, que poderia afirmar que tendo na Grécia, no século V e VI, uma noção de unidade, o que rememora Alcebíades, também o rememora Sócrates. Mas isso não é verdadeiro, na medida em que há nos gregos, os alunos e os mestres. Se não há, nessa unidade nenhuma diferença, então a própria unidade se tornaria por isso mesmo contraditória, dizendo que todos estão por uma espécie de telepatia apática rememorando as formas ao mesmo tempo.
I. A pressuposição polêmica

“A questão é formulada pelo ignorante, que nem ao menos sabe o que é que o levou a perguntar” Pág. 25 (Kierkegaard, 2008).
Na medida em que o conhecimento e a virtude se relacionam e se comprazem em uma conformidade, Kierkegaard pergunta qual à medida que garante que a verdade possa ser conhecida. Para ele, o devir reminiscente é contraditório. Não há tão pouco, necessidade histórica na busca pela verdade, não é perguntando, que se responde a questão. E ao mesmo tempo, é só a partir da pergunta que se pode delinear uma proposta. Tanto para Kierkegaard, como para Sócrates, o mestre é fundamental, mas em Kierkegaard, além do fundamento é a condição mesma para a busca da verdade. Há também que se denunciar a fragilidade dessa frase, porque em Sócrates também o mestre estabelece uma condição, mas Kierkegaard rechaça essa condição da pura reminiscência. Não é um lembrar, mas um possível encontrar.
1. Como o ignorante é capaz de pergunta pela virtude?
2. Se a virtude já é conhecida, porque perguntar?
Uma resposta às duas perguntas pode ser socrática: o individuo que pergunta, pergunta para relembrar, a pergunta é necessidade sem a qual não se chega à lembrança. E outra resposta é, que não há uma anterioridade da virtude no individuo, ele pergunta por que busca aquilo que lhe falta. Dentro desse panorama, vemos que a liberdade é estabelecida pelo indivíduo que escolhe perguntar. Tanto em Kierkegaard quanto em Sócrates. Mas se para Sócrates, o anterior na figura da alma que já estabeleceu relação com a forma, garante uma resposta precisa e lógica aceitável, para Kierkegaard é preciso ainda mais. Se Sócrates busca a virtude, e nisso consiste na verdade, e, no entanto se em Kierkegaard a verdade for representada pelo cristianismo, é preciso para Sócrates, lembrar-se da virtude, e para Kierkegaard tornar-se cristão.
Conclusão
O que Kierkegaard faz é estabelecer um momento anterior, mas não reminiscente da liberdade, o individuo não conhece antes a liberdade, antes da própria liberdade, ele a estabelecendo no mento em que escolhe perguntar e também escolhe a condição, ou seja, o mestre. Não tem necessidade histórica a questão da proposição polêmica em si mesma, porque é o individuo que pergunta dentro da efetividade de sua liberdade, e ao mesmo tempo, essa contingência “o individuo pode, e não pode perguntar” é ao mesmo tempo permeada pelo eterno, não da universalidade histórica, mas do estatuto que está além da ética, aquilo que todo o individuo é: necessário, e desnecessário a si mesmo e a sua liberdade.
Referências Bibliográficas
KIERKEGAARD, S. A. Os Pensadores. 1ª ed. Trad. Carlos GRIFO, Maria José MARINHO, Adolfo Casais MONTEIRO. São Paulo: Editora Abril Cultural, 1979.
_________. O conceito de ironia constantemente referido a Sócrates. Trad. br. Álvaro Valls. Petrópolis: Vozes, 1991.
_____________. Migalhas filosóficas: ou um bocadinho de filosofia de João Clímacus. Trad. Álvaro Valls. Petrópolis: Vozes, 2008.
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